Ao andar pela rua percebi um calor em um olhar que me fez suspirar. Podia parecer uma pessoa qualquer, mas não era. Era simplesmente a perfeição, em todos os sentidos da palavra, que me fazia ser tudo no meio de quase nada.
Era uma tarde de outubro quando fomos para um cinema na esquina. Naquela época as pessoas ainda preferiam caminhar do que andar de metrô ou qualquer outro tipo de condução que encurtasse o tempo do trajeto e, como consequência, nossas conversas.
Falávamos do voo dos pássaros e do sexo dos anjos. Nesses momentos mais importava uma folha caída no chafariz do que as guerras ao redor do mundo.
Quando estou com ela é como se o tempo fosse uma mera demarcação matemática sem sentido, de algo que é preferivel se aproveitar do que mesurar.
No cinema me detinha mais aos seus comentários do que o filme propriamente dito. Quando menos esperava seus olhos se enxiam de lágrimas e as luzes se acendiam.
- Já acabou?! - perguntava assustado
Ela assentia.
Os anos se passaram e tudo isso só se fazia mais presente.
Até que um dia tive que dividí-la com outro.
A pesar de o tempo passar da mesma forma que antes, não era a mesma coisa. Não sentia mais as risadas dadas e o relógio acabava sendo um companheiro de um tempo que outrora preferia não marcar.
Porém ao passar dos meses tive a impressão que estava só. O mundo desabava em rios de sufocamento, ao mesmo tempo que o chão sumia em volta dos meus pés.
Senti perdido, com medo de seguir em frente, até que tive que recorer a quem não via há anos.
Ao terminar o desabafo, recebi espontaneamente um abraço.
- Eu estou aqui, sempre estive! Não importa com quem eu esteja, serei sua da mesma forma que fui durante tantos anos.
Desde então recuperei minha amiga perdida e ganhei um companheiro que não tenho motivo algum para abandonar.
A alegria voltou ao meu lar.
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Um comentário:
pois é...
essa ai nunca deixou de ser sua, nunca foi apagada e sempre a postos pra quando um dia eu fosse embora.
e foi o que aconteceu
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